Fotografo: Arquivos da Biblioteca
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Dona Carmela

O livramentense, com toda certeza, acordou mais triste nesta manhã de sábado, 23, ao torna-se ciente do falecimento da professora Carmelinda Ferrante Maciel da Silva. Carmelinda Ferrante Maciel da Silva ou simplesmente dona Carmela, como era carinhosamente conhecida no meio papa-banana, faleceu na madrugada de hoje (23), na capital, Cuiabá, onde estava internada por apresentar problema de saúde nos últimos dias. O velório acontece das 07h00 às 10h00, na Capela Jardins, na capital, e sepultamento será no Cemitério Parque Cuiabá.

 

Carmelinda Ferrante Maciel da Silva nasceu no ano de 1954, em Falciano Di Mondragone, província da Nápoles, Itália e veio para o Brasil em 1968, quando tinha apenas 15 anos de idade. Ela atuou durante muito tempo como vice-consulesa honorária da Itália em Cuiabá. Também prestou relevantes serviços ao Estado de Mato Grosso, servindo italianos e demais descendentes que aqui chegaram.

  

Atualmente, a professora desenvolvia um trabalho voluntário de resgate da história da cidade de Nossa Senhora do Livramento, promovendo cursos, encontros e pesquisas. Ela liderava um grupo de técnicos ligados ao patrimônio histórico, artístico e cultural de Mato Grosso, que vem investigando sobre as diferenças entre a população livramentense ao longo da sua existência dentro de um processo de evolução. A intenção é focar num olhar sobre as origens do papa-banana desde o século XVIII até aos dias atuais.

 

Nesta quinta-feira (21 de maio), o bucólico lugar completou 290 anos de existência e mesmo com toda essa idade Livramento nunca teve esses registros. E olha que a cidade é a segunda mais antiga de Mato Grosso, depois de Cuiabá.

 

Entusiasmada com a iniciativa em si, a professora aventou por diversas vezes, a possibilidade de registrar todos os seus estudos sobre Livramento em um ‘Livro do Tombo’, já que a cidade é tão antiga. “A cidade ainda não possui registros de seu patrimônio histórico móvel, imóvel, natural e artístico, mesmo perdendo em idade apenas para Cuiabá, em Mato Grosso. Mas graças a Deus, o prefeito da cidade vem concordando de fazermos este trabalho. Livramento, além das pesquisas arqueológicas e históricas, terá finalmente um Livro do Tombo organizado, documentado e escrito à mão por mim. Estou muito feliz com tudo isso, porque vamos deixar para nossas futuras gerações toda a memória e orgulho de ser livramentense”, disse a professora em janeiro deste ano.

 

Dona Carmela era casada com o livramentense Licinio Aurélio Maciel Monteiro da Silva (médico veterinário conhecido com doutor Lelinho). Talvez isso a levou a ser autora de dois lindos livros: “Nossa Senhora do Livramento – Santuário do Pantanal Mato-Grossense” - onde conta a história do nascimento e a saga dos habitantes dessa simpática cidade; e o “Comunitá Italiana: Uma saga de amor” - onde relata a história dos Italianos no Estado do Mato Grosso.

 

Consternado diante do acontecido, o prefeito municipal Silmar de Souza lamentou a morte da professora da seguinte maneira: “Dona Carmela era um pessoa formidável. A perca é muito grande. Um ser humano extremamente do bem que contagiava a todos que por ela passavam. Estive com ela na semana passada, mais precisamente no dia 13 de maio, onde conversamos bastante e demos boas risadas. Deixo aqui as minhas condolências ao esposo e demais membros da família que aqui ficam.”